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Wildiney Di Masi
Artigos

7 de julho de 2026

O último trecho da inclusão digital não é fibra

PNAD mostra Brasil passando de 90% de acesso à internet, mas crianças de 10 a 13 anos usaram menos em 2025, citando desconfiança.

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Ainda tem profissionais repetindo que só uma minoria do Brasil tem internet. Isso já não é mais verdade. Em 2025, pela primeira vez, mais de 90% da população passou a acessar a rede: 168,7 milhões de pessoas, segundo o IBGE. Em 2016, esse número era de apenas 66%.

O gap que separava cidade e campo, de 37,5 pontos percentuais, caiu para 8,5. O culpado é o celular: entre quem já usa internet, 98,7% acessam por ele, não por banda larga fixa.

Dos 17,7 milhões ainda fora da rede, 44,9% dizem que o motivo é não saber usar. Entre os idosos, esse número sobe para 66,5%. O sinal já chega em quase todo canto. O que falta é ensinar alguém a usar o que já está na mão dele.

E aqui eu tenho um dado muito interessante: crianças de 10 a 13 anos foram o único grupo etário que usou menos internet em 2025 do que em 2024, com privacidade e segurança entre os principais motivos citados.

Essa decisão provavelmente não foi só da criança: numa pesquisa domiciliar, quem responde por um filho de doze anos costuma ser um adulto da casa, e o motivo citado reflete a leitura de um pai ou de uma mãe sobre o risco. Isso torna o dado mais sério: uma família decidiu tirar o filho de um aplicativo por desconfiança, a mesma decisão racional que qualquer adulto toma quando um produto perde a confiança dele. A diferença é que o time de produto ainda lê essa queda como perda de engajamento na faixa etária errada, não como alarme de confiança.

Fechar essa última brecha não vai exigir mais sinal chegando, vai exigir produto que ensine sozinho como ser usado, com baixa curva de aprendizado e mereça novamente a confiança de quem, com razão, decidiu não mais usar.


Fontes: IBGE · Canaltech