11 de maio de 2026
Nenhuma votação, nenhum comitê, apenas um post
Em 2020, o Google transformou um blog post em lei do produto digital. A Prompt API segue a mesma lógica — só que dessa vez o modelo fica no dispositivo e as regras ficam com o Google.
Em maio de 2020, o Google publicou um post no blog do Chrome anunciando que três métricas de performance passariam a influenciar o ranqueamento de busca a partir de 2021. Nenhuma votação, nenhum comitê de standards, apenas um post.
O que veio depois foram times de produto reescrevendo roadmaps, agências de SEO reposicionando serviços, e o Core Web Vitals virando linha permanente no backlog de qualquer produto com pretensão de aparecer no Google. Não porque alguém decidiu que era uma boa ideia, mas porque o Google decidiu que era, usando os 67% de market share do seu browser.
A Prompt API segue a mesma lógica: o Chrome agora permite que páginas web enviem instruções em linguagem natural ao Gemini Nano, um modelo que roda localmente no dispositivo sem tráfego para servidores. A Mozilla publicou uma objeção formal no W3C argumentando que isso fragmenta a web aberta, e ela está tecnicamente certa, mas o Firefox tem menos de 3% de market share, então a briga é legítima sem ser relevante.
O detalhe que está escapando é que usar a Prompt API exige aceitar a Generative AI Prohibited Uses Policy do Google. O modelo fica no dispositivo do usuário, mas as regras de conteúdo ficam com o Google, sem que o usuário tenha assinado nada.
Para quem constrói produtos, a questão não é se isso vai virar padrão, porque o histórico sugere que vai. A questão é quando você vai decidir o que fazer com uma camada que já está entre o seu produto e o seu usuário, mesmo sem ter pedido por ela.