19 de janeiro de 2026
Toma essa métrica: "Todos os seres humanos juntos piscam centenas de trilhões de vezes por dia"
Uma métrica só é útil quando força uma decisão. Se ela sobe, algo muda. Se ela cai, algo muda. Se nada muda, não é métrica — é entretenimento analítico.
Uma pessoa pisca, em média, 15 vezes por minuto. Multiplique pela população mundial e chegamos a centenas de trilhões de piscadas humanas por dia.
É impressionante. É correto. É inútil.
Não indica problema. Não orienta decisão. Não muda absolutamente nada.
Se amanhã esse número dobrar, ninguém faz nada. Se cair pela metade, também não. Ele existe apenas porque era possível medi-lo. Soa familiar?
Em produto, nunca foi tão fácil medir tudo. Cliques, tempo, rolagem, eventos, engajamento. A exigência de ser data-driven virou padrão. O problema é que, para muita gente, medir virou o objetivo, não o meio.
Números viraram protagonistas. Pensamento crítico, coadjuvante.
Correlação vira explicação. Curiosidade vira KPI. E dashboards começam a orientar decisões que não têm ligação clara com valor, problema ou resultado real.
É assim que surgem OKRs impecáveis… …e produtos medíocres.
Uma métrica só é útil quando força uma decisão. Se ela sobe, algo muda. Se ela cai, algo muda.
Se nada muda, não é métrica. É entretenimento analítico.
Bonito de ver. Inofensivo. Como saber quantas vezes a humanidade pisca por dia.
Se você lidera produto, tecnologia ou dados e já se perguntou se seus números estão orientando decisões ou apenas preenchendo slides, vale continuar essa conversa.