17 de agosto de 2026
27 mil agentes de IA, 200 que importavam
O iFood construiu 27 mil agentes de IA em dez meses. 82% economizavam menos de 20 horas por mês. A resposta foi trocar a métrica, não os agentes.
O iFood construiu 27 mil agentes de IA em dez meses. Só 200 deles importavam de verdade.
A meta parecia simples no início: um agente por funcionário, prioridade em volume, erro tratado como parte do processo. Chegaram lá rápido, com 12 mil agentes ativos por mês. Um deles lia doze meses de reuniões e devolvia feedback pronto em 20 minutos. Todo treinamento de IA começava com o mesmo rito de passagem: construir um jogo da cobrinha por comando de voz, sem saber programar.
Só que quando alguém separou o joio do trigo, o resultado foi que 82% dos agentes economizavam menos de 20 horas por mês, do tipo assistente pessoal. Menos de 1% fazia o trabalho de dezenas de pessoas. A empresa tinha estoque de agente e não sabia dizer qual deles importava.
A resposta foi trocar a métrica. A conversa interna saiu de "quantos agentes existem" para "qual problema cada um resolve de verdade", e mudar esse vocabulário em dois meses gerou um desconforto óbvio: gente que tinha acabado de aprender a construir agente ouvindo que o esforço ia ser medido de outro jeito.
Faz sentido incomodar. Contar agente é fácil e não exige julgamento nenhum, é a métrica que enche slide de board. Definir qual skill merece ser escalada é que dói, porque obriga alguém a admitir que as outras 26.800 não valiam o esforço que custaram.
O time de devs do iFood saiu dessa troca com 16% mais produtividade, ganho de time inteiro, não de herói isolado. Métrica existe pra forçar decisão, não pra decorar apresentação.
