Wildiney Di Masi
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12 de janeiro de 2026

E se o defeito fosse prova de excelência?

Peças defeituosas da LEGO valem mais que o original — não por serem defeituosas, mas porque o erro é raríssimo num sistema altamente confiável. O que isso revela sobre excelência em produto?

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E se o defeito fosse prova de excelência?

A LEGO é obcecada por qualidade. Suas peças encaixam perfeitamente há décadas, mantêm padrões industriais rigorosos e raramente falham. Ainda assim, quando uma falha acontece, uma minifigura com impressão errada, por exemplo, o mercado não rejeita. Ele valoriza.

Peças defeituosas da LEGO podem valer muito mais do que o produto original. Não porque são defeituosas, mas porque o erro é raríssimo dentro de um sistema extremamente confiável. O defeito não destrói valor. Ele revela o quanto aquele valor já existia antes.

Isso deveria incomodar quem trabalha com Produto.

Falhas só viram "aprendizado" quando o produto já construiu confiança, identidade e consistência. Sem isso, erro não é exceção histórica, é só descuido recorrente. O mercado sabe a diferença.

A pergunta, então, não é "como errar mais rápido?", mas: o que precisa estar sólido para que o erro não seja interpretado como incompetência?

Produtos realmente bons criam um padrão tão claro que qualquer desvio vira narrativa. Produtos frágeis criam ruído. Neles, o erro não vira história, vira churn.

A LEGO não nos ensina que falhar é bom. Ela mostra algo mais desconfortável: só pode falhar quem já provou, repetidamente, que sabe entregar excelência.

Talvez o verdadeiro objetivo em Produto não seja construir algo que tolere falhas, mas algo tão consistente que até o erro seja reconhecido como exceção, e não como padrão.