Pular para o conteúdo
Wildiney Di Masi
Artigos

1 de agosto de 2026

O dado que sabota sua decisão de produto

29% dos funcionários admitem ter sabotado a estratégia de IA da própria empresa. O que isso faz com sua pesquisa de satisfação e seus testes de feature.

inteligência artificialmétricasdecisãoliderançasabotagem

Testaram uma nova feature por duas semanas. Quase toda avaliação recebeu nota mediana, nem boa o bastante pra aprovar, nem ruim o bastante pra levantar suspeita. A feature foi descartada, mas será que deveria?

O sinal de sabotagem raramente vem de uma pane espalhafatosa, vem da nota morna que não muda nada pra nenhum lado.

A cena é fictícia, mas nem tanto. Um estudo da Writer, em parceria com a Workplace Intelligence, ouviu 2.400 funcionários e executivos nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa. E acredite, 29% admitem ter sabotado a estratégia de IA da própria empresa, e entre a Geração Z o número sobe pra 44%. Entre as formas citadas estão recusar a ferramenta de IA eleita pela empresa e adulterar avaliação de desempenho pra fazer a IA parecer pior do que é. Essa segunda é a versão real por trás da nota morna do início.

Esse dado implica na sua pesquisa de satisfação, no relatório de testes e na reunião que aprova ou descarta as melhorias ou a criação do seu produto.

76% dos executivos dizem que essa sabotagem representa uma ameaça séria ao futuro da empresa. Do ponto de vista de quem lidera produto, achar quem sabotou importa menos que achar o problema e construir a correção, porque todo resultado carrega a responsabilidade de quem liderou o processo. Nenhum resultado isolado deveria decidir sozinho. Nem pesquisa qualitativa escapa de viés: pergunta enviesada já tem resposta certa. Cruzar a nota da pesquisa com o que o mercado mostra, com reclamação direta de quem usa, entre outras coisas, ajuda a achar a discrepância. Se o concorrente lançou a mesma feature e está colhendo resultado, o problema pode estar no piloto ou pode estar nas métricas usadas. E lembre-se: silêncio educado na reunião pode ser só a objeção guardada para outra oportunidade.

Confiança no processo é o que sustenta a confiança no seu produto.


Fontes: WRITER · Fortune