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Wildiney Di Masi
Artigos

16 de fevereiro de 2026

Aumento do uso de IA no trabalho

Maturidade não está em usar mais IA. Está em saber onde usar, por que usar e quanto isso realmente entrega de valor — sem confundir velocidade com avanço.

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Todo mundo está comemorando que o uso de IA no trabalho cresceu. A pergunta que quase ninguém faz é: cresceu para fazer o quê?

Hoje, "usar IA" virou um conceito elástico. Vale desde pedir ajuda para escrever um e-mail até copiar e colar um prompt escrito por um guru de IA e chamar isso de produtividade. Tudo entra na mesma conta. A métrica sobe, o entendimento nem sempre acompanha.

Um estudo recente da Anthropic trouxe um dado incômodo. Na programação, a IA ajuda em diversas tarefas, mas quem passa a depender demais dela tem pior desempenho para entender código, depurar erros e explicar o que foi feito. Em média, 17% pior. Mais rápido para começar, mais frágil para sustentar a longo prazo.

Isso não me surpreende. Basta ficar algumas semanas longe da rotina para sentir como o raciocínio enferruja. Agora imagine meses delegando tudo. A questão interessante não é se isso piora o domínio técnico hoje, mas se isso vai continuar sendo relevante no futuro próximo.

Se a própria IA implementa, testa e corrige o código sozinha, talvez o valor não esteja mais na linha de código, mas no desenho da solução, na arquitetura, nas decisões de trade off. O problema é que isso não foi medido. Estamos debatendo perda de habilidade em um eixo, sem saber se houve ganho real em outro.

E tem outro ponto pouco falado: IA não é um loop barato rodando em background. Cada prompt custa. Cada token conta. Cada automação "inteligente" entra direto no custo de adquirir, atender e manter um usuário. Em algum momento, alguém vai ter que responder se a solução moderna realmente vale mais do que uma abordagem simples, previsível e barata. Usar mais, nesse caso, também significa gastar mais.

Nada disso é um argumento contra IA. Pelo contrário. É um convite a usar melhor.

O uso vai continuar crescendo. E isso é ótimo. Mas maturidade não está em usar mais. Está em saber onde usar, por que usar e quanto isso realmente entrega de valor, sem confundir velocidade com avanço.